Mapas táteis: levantamentos e organização de formulário

CENTRO UNIVERSITÁRIO FIAM FAAM
Curso de Arquitetura e Urbanismo: Escritório Modelo
Alunas: Carolina Aparecida de Sousa e Kesley Tonon da Silva
Tutor: Profª Drª Paula Katakura

  1. INTRODUÇÃO

 O presente relatório tem por objetivo o levantamento de informações para elaboração da norma técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a confecção e projeto de mapas táteis para pessoas portadoras de deficiência visual.

Foi realizado o levantamento dos mapas já instalados na cidade de São Paulo e na cidade de Barcelona, a fim de se verificar suas principais características.

Foi realizado formulário para aplicação às empresas que fabricam, fornecem e/ou projetam mapas táteis, a fim de levantar as principais características dos mapas táteis elaborados pela mesma.

Ao término desta pesquisa, o objetivo é possuir informações suficientes para a elaboração da norma técnica, no âmbito do projeto, fabricação e conservação.


2.     APRESENTAÇÃO DO FORMULÁRIO

O formulário tem por objetivo o levantamento de informações junto aos projetistas e/ou fabricantes de mapas táteis.

As perguntas são relacionadas ao processo de fabricação, materiais utilizados e principais características com relação a sua aplicação, local de instalação, dentre outros.

Apresentação do formulário: clique aqui

3.    ANÁLISE DOS MAPAS LEVANTADOS

Foram realizados levantamentos durantes os meses de setembro e outubro de 2012. Os mapas selecionados estão instalados na cidade de São Paulo, no Brasil e na cidade de Barcelona, na Espanha.

Nas páginas a seguir estão apresentadas as principais informações referentes aos mapas analisados, bem como relatório fotográfico com seu atual estado de conservação e instalação.

3.1. Biblioteca de São Paulo, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:       30/09/2012
Localização                1º. Pavimento, Biblioteca Adultos
Acesso                         Difícil acesso, não há orientação e sinalização ao deficiente  de como  o mesmo poderá chegar ao mapa.
Conservação             Regular – faltam algumas letras e pontos do braile.
Material                      Suporte: Vidro; Base: PVC; Letras: Laminado melamínico e Metal (letras em Braille)
Posição                       Horizontal
Fabricante                  Informação não disponível

Comentário geral       A biblioteca possui apenas o mapa de um dos seus pavimentos (1º. Andar). O mapa esta localizado próximo ao acesso principal do 1º andar, porém não há qualquer orientação sobre sua localização. Baixo contraste de cores, o que prejudica o seu uso por pessoas com baixa visão.  Mapa documentado nas figuras 01, 02, 03 e 04.

Figura 01: Vista geral do mapa. Detalhe para a escada de acesso ao 1º. Pavimento à esquerda e ausência de demarcação e/ou sinalização para deficientes visuais.

Figura 01: Vista geral do mapa. Detalhe para a escada de acesso ao 1º. Pavimento à esquerda e ausência de demarcação e/ou sinalização para deficientes visuais.

Figura 02: Detalhe das letras do mapa. Ausência de algumas letras e pinos em braile.

Figura 02: Detalhe das letras do mapa. Ausência de algumas letras e pinos em braile.

Figura 03: Vista lateral do mapa. Detalhe do suporte de vidro e ausência de letras em caixa alta. Baixo contraste de cores entre a base e detalhes em relevo que representam o pavimento e seus setores.

Figura 03: Vista lateral do mapa. Detalhe do suporte de vidro e ausência de letras em caixa alta. Baixo contraste de cores entre a base e detalhes em relevo que representam o pavimento e seus setores.

Figura 04: Detalhe do pavimento. Baixo contraste dificulta o uso por pessoas de baixa visão. As áreas com placas em laminado inteiriças são vazios ou áreas sem acesso ao público.

Figura 04: Detalhe do pavimento. Baixo contraste dificulta o uso por pessoas de baixa visão. As áreas com placas em laminado inteiriças são vazios ou áreas sem acesso ao público.

3.2. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:          30/09/2012
Localização                   1º. Pavimento, Galeria tátil de esculturas.
Acesso                             Fácil acesso com sinalização tátil no piso do elevador até o mapa tátil (figura 05), porém o deficiente visual precisa de ajuda para chegar ao elevador, pois não há orientação e sinalização até ele.
Conservação                 Bom.
Material                          Suporte: Gesso; Base: PVC; Letras: PVC em alto relevo e Metal (letras em Braille)
Posição                           Inclinado
Fabricante                      Casa do Braille
Comentário geral       A Pinacoteca possui uma Galeria Tátil de Esculturas onde os deficientes visuais podem apreciar algumas obras (figuras 06), e é neste setor que está localizado o mapa tátil. O mapa apresenta contraste de cores que facilita o uso por pessoas com baixa visão (figura 07 e 08). Além do mapa a Pinacoteca deixa à disposição a maquete tátil do prédio e da sua localização (figuras 09, 10 e 11).

Figura 05: Vista da sinalização tátil entre o elevador e o mapa tátil

Figura 05: Vista da sinalização tátil entre o elevador e o mapa tátil

Figura 6

Figura 06: Escultura presente na Galeria Tátil

Figura 7

 

Figura 08: Detalhe do Mapa Tátil

Figura 08: Detalhe do Mapa Tátil

 

Figura 9

Figura 09: Vista da maquete tátil do prédio da Pinacoteca

Figura 10

Figura 10: Vista da maquete de implantação do prédio da Pinacoteca

Figura 11

Figura 11: Detalhe da legenda tátil das maquetes

 

3.3. Mercado Municipal de São Paulo, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:     30/09/2012
Localização               Térreo, entrada pela Rua da Cantareira.
Acesso                         Fácil acesso, porém está localizado em uma entrada pouco utilizada.
Conservação             Bom.
Material                      Suporte: Metal; Base: Acrílico e PVC; Letras: Relevo das letras são recortes do PVC e Metal (letras em Braille)
Posição                       Vertical
Fabricante                  FMU
Comentário geral    O mapa tátil não é do prédio do Mercado Municipal e sim da sua localização (figura 12).Apresenta contraste de cores que facilita o uso por pessoas com baixa visão. Como as letras são formadas através de recortes no PVC não correm risco de descolarem, facilitando a manutenção (figura 13).

Figura 12: Vista do mapa tátil localizado no Mercado Municipal

Figura 12: Vista do mapa tátil localizado no Mercado Municipal

Figura 13: Detalhe do contraste de cores e dos recortes que formam as letras

Figura 13: Detalhe do contraste de cores e dos recortes que formam as letras

3.4. Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:         30/09/2012
Localização                  Recepção
Acesso                            Através de requisição na recepção.
Conservação                Bom
Material                         Suporte: não aplicável; Base: papel; Letras: não aplicável
Posição                           não aplicável
Fabricante                      Museu de Arte Moderna
Comentário geral       O mapa é um caderno que deve ser solicitado à recepção do museu. Ele apresenta um mapa geral do museu, indicando as diversas áreas, porém não há um mapa para cada exposição.  Além disso, o museu possui um jardim de esculturas que tem caderno com mapa tátil específico (Anexo I). O mapa possui contraste de cores, porém estas cores são utilizadas para definir a setorização do museu. O relevo é efetuado com equipamento braile e indica os contornos das paredes (figuras 14 e 15).

Figura 14: Página do mapa tátil no caderno.

Figura 14: Página do mapa tátil no caderno.

Figura 15: Página da legenda do mapa tátil no caderno.

Figura 15: Página da legenda do mapa tátil no caderno.

3.5. Metro Santa Cruz, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:       07/11/2012
Localização                Próximo ao bloqueio de entrada do Metrô.
Acesso                          Fácil acesso.
Conservação              Regular, algumas letras estão apagadas.
Material                       Suporte: Inóx; Base: Acrílico e PVC; Letras: Tinta e Metal (letras em Braille).
Posição                        Horizontal
Fabricante                   Informação não disponível
Comentário geral       Como ocorre com o mapa tátil do Mercado Municipal, este apresenta a localização do Metrô na região e não os ambientes do prédio. Também apresenta um bom contraste de cores, as letras foram pintadas no mapa, e com a utilização estão sendo apagadas. Mapa documentado nas figuras 16, 17, 18 e 19.

Figura 16: Vista geral do mapa tátil do Metrô Santa Cruz

Figura 16: Vista geral do mapa tátil do Metrô Santa Cruz

Figura 17: Detalhe do mapa tátil com as ruas e quarteirões ao redor do Metrô Santa Cruz

Figura 17: Detalhe do mapa tátil com as ruas e quarteirões ao redor do Metrô Santa Cruz

Figura 18: Detalhe do contraste de cores e das letras

Figura 18: Detalhe do contraste de cores e das letras

3.8.          Caixa Forum, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:       13/10/2012
Localização                1º pavimento.
Acesso                         Fácil acesso.
Conservação               Excelente
Material                         Suporte: Metal; Base: Acrílico; Letras: Metal (letras em Braille).
Posição                           Inclinado
Fabricante                      Informação não disponível
Comentário geral       Diretório tátil, apresenta descrição do Museu em letras do dicionário Braille.  Documentado nas figuras 20 e 21.

                                             

Figura 20: Detalhe do mapa tátil da Caixa Forum

Figura 20: Detalhe do mapa tátil da Caixa Forum

Figura 21: Detalhe do suporte do mapa tátil da Caixa Forum

Figura 21: Detalhe do suporte do mapa tátil da Caixa Forum

3.9. Casa Batlló, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:         14/10/2012
Localização                    1º. pavimento
Acesso                             Difícil acesso
Conservação                 Bom.
Material                          Suporte: Madeira; Base: Acrílico; Letras: Acrílico e Metal (letras em Braille).
Posição                           Horizontal
Fabricante                      Informação não disponível
Comentário geral       Não há contrastes de cores para utilização por pessoas de baixa visão, bem como texto em alto relevo, exceto braile. Além da planta do pavimento há o relevo da fachada principal. Com relação à localização, o mapa esta enclausurado em uma das salas do primeiro pavimento e não há sinalização tátil que leve o deficiente até o ambiente.  Não existem mapas de todos os andares. Mapa documentado nas figuras 22 e 23.

Figura 22: Mapa do primeiro pavimento. Indicação do percurso da exposição em alto relevo.

Figura 22: Mapa do primeiro pavimento. Indicação do percurso da exposição em alto relevo.

 

Figura 23: Vista do mapa tátil da fachada do prédio

Figura 23: Vista do mapa tátil da fachada do prédio

 

                                             

3.10. La Pedrera, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:       14/10/2012
Localização                 Pavimento térreo: Mapa 01,Ático: Mapa 02 e Maquete volumétrica
Acesso                             Fácil acesso
Conservação                 Bom.
Material                          Suporte: Metal; Base: Gesso; Letras: PVC em alto relevo e Metal (letras em Braille).
Posição                           Mapas inclinados e Maquete horizontal
Fabricante                      Informação não disponível
Comentário geral       Os mapas estão localizados nos acessos principais dos pavimentos e indicam todas as entradas e saídas, bem como o programa de cada um dos pavimentos. Todos os desníveis são indicados com relevo no mapa. As cores são contrastantes em apenas no mapa 02 (figura 25). A maquete da fachada permite que o deficiente possa através do tato identificar a volumetria do edifício (figura 26). Mapa 01 documentado na figura 24.

Figura 24: Mapa 01 - Mapa tátil do pavimento térreo.

Figura 24: Mapa 01 – Mapa tátil do pavimento térreo.

Figura 25: mapa 02 - Mapa tátil do ático, detalhe para as cores contrastantes.

Figura 25: mapa 02 – Mapa tátil do ático, detalhe para as cores contrastantes.

Figura 26: Maquete volumétrica do edifício.

Figura 26: Maquete volumétrica do edifício.

3.11. Parques, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:           15/10/2012
Localização                     Entrada dos parques:
Acesso                               Fácil acesso
Conservação                   Parc de L’ Estació Del Nord: Bom; Parc Del Centre Del Poblenou: Regular, apresenta sinais de vandalismo; Park Guell: Bom
Material                           Suporte: ConcretoBase: Metal e PVC; Letras: PVC em alto relevo e Metal (; letras em Braille).
Posição                            Vertical
Fabricante                       Informação não disponível
Comentário geral        Há uma padronização dos mapas táteis para os parques da cidade de Barcelona. O mapa tátil possui contraste de cor adequado e apresenta a localização dos ambientes dentro do parque (figuras 27, 28, 29 e 30).

Figura 27: Vista do mapa tátil do Parc de L’ Estació Del Nord

Figura 27: Vista do mapa tátil do Parc de L’ Estació Del Nord

Figura 28: Vista do mapa tátil do Parc Del Centre Del Poblenou

Figura 28: Vista do mapa tátil do Parc Del Centre Del Poblenou

Figura 29: Vista do mapa tátil do Park Güell

Figura 29: Vista do mapa tátil do Park Güell

Figura 30: Detalhe do mapa tátil

Figura 30: Detalhe do mapa tátil

CONCLUSÃO

Avaliando as condições dos mapas instalados no Brasil, constatamos em muitos deles um processo artesanal de fabricação e uma grande diversidade de materiais empregados em sua confecção.

Os mapas táteis na Espanha, já apresentam uma padronização, principalmente quando são elaborados por órgãos do governo.

Com relação à conservação, o estado de conservação é adequando na maioria dos casos analisados. Com relação à resistência a intempéries, nenhum mapa levantado na cidade de São Paulo apresenta resistência.

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Plantas e Maquetes Táteis: finalização dos trabalhos

Este projeto surgiu como proposta complementar para o Carnaval 2011 que vem sendo desenvolvido com a SPTuris e FIAMFAAM Centro Universitário com o precioso apoio da Fundação Dorina Nowill para Cegos

Como atividade vinculada ao escritório-modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo, um conjunto bastante significativo de alunos, voluntariou-se para colaborar numa tarefa bastante difícil: como mostrar o sambódromo (planta em PDF) e o espaço para evolução de uma escola de samba?

O Desafio:
1. Como podemos colcaborar com um Deficiente Visual ajudando-o a compreender as características arquitetônicas e espaciais de um complexo de edificações que constituem o sambódromo de São Paulo?
2. Será que por meio de nosso trabalho conseguiremos colaborar na compreensão de como se dá o desenvolvimento da apresentação de uma escola de samba.

Ver mais em:

http://depoisbigbang.wordpress.com/2011/03/04/quem-nao-sabe-o-que-e-carnaval/
http://helenadegreas.wordpress.com/2011/03/04/planta-e-maquete-tatil-do-sambodromo-de-sao-paulo/
http://helenadegreas.wordpress.com/2011/01/10/sobre-plantas-e-maquetes-tateis-execucao-do-sambodromo-diario-de-sala/
http://helenadegreas.wordpress.com/2010/12/13/deficiencia-visual-um-pouco-sobre-o-assunto-projeto-carnaval-2011-so-nao-ve-quem-nao-quer/

E agora, fechando a maquetaria com CHAVE DE OURO!!!!!!!!!!!!

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Sobre plantas e maquetes táteis: execução do sambódromo (diário de sala)

Este projeto surgiu como proposta complementar para o Carnaval 2011 que vem sendo desenvolvido com a SPTuris e FIAMFAAM Centro Universitário com o precioso apoio da Fundação Dorina Nowill para Cegos

Como atividade vinculada ao escritório-modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo, um conjunto bastante significativo de alunos, voluntariou-se para colaborar numa tarefa bastante difícil: como mostrar o sambódromo (planta em PDF) e o espaço para evolução de uma escola de samba?

O Desafio:
1. Como podemos colcaborar com um Deficiente Visual ajudando-o a compreender as características arquitetônicas e espaciais de um complexo de edificações que constituem o sambódromo de São Paulo?
2. Será que por meio de nosso trabalho conseguiremos colaborar na compreensão de como se dá o desenvolvimento da apresentação de uma escola de samba.

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Guia Tátil de Ruas: Ipiranga, São Paulo

Trabalho apresentado junto ao Núcleo Pró-Acesso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Escola de Design e Artes Visuais da Universidade Veiga de Almeida (apoio da FAPERJ) no seminário “Acessibilidade no Cotidiano”, que ocorreu enre os dias 21 e 23 de setembro de 2004, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

endereço eletrônico: clique aqui

DEGREAS, H. N. ; GOZZO, Ruberval . Guia Tátil para o atendimento de pessoas portadoras de deficiência visual: propiciando o exercício da cidadania. In: Seminário: acessibilidade no cotidiano, 2004, Rio de Janeiro. Acessibilidade no Cotidiano: programação e resumo dos trabalhos, 2004.

Guia Tátil de Ruas do Ipiranga: Instituto de Cegos Padre Chico

Guia Tátil de Ruas Ipiranga

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Prática Experimental em ambiente acadêmico: relato de experiência desenvolvida no escritório-modelo do curso de arquitetura e urbanismo do FIAMFAAM Centro Universitário

Experimental Practice in academic environment:
report of an experiment carried out in the model office of the
Architecture and Urban Planning Course at FIAM-FAAM University Center

Drª Helena Napoleon Degreas[1]; Drª Paula Katakura[2]

RESUMO

As transformações no mundo do trabalho vêm requisitando profissionais da área de arquitetura e urbanismo qualificados que acompanhem as mudanças e transformações do mundo contemporâneo e que atendam às complexas demandas de uma sociedade em constante mudança. Para tanto, o projeto pedagógico deve viabilizar a coexistência indissociável de relações entre teoria e práticas experimentais, buscando a solução de situações problema contextualizados em realidade vivenciada pelo aluno. O texto abordará, por meio da descrição de um objeto pedagógico denominado “mapa tátil e de baixa visão” desenvolvido em parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, o papel pedagógico desempenhado pelos programas e projetos de pesquisa e extensão realizadas no escritório-modelo do curso de arquitetura e urbanismo da FIAM-FAAM para a construção de novos conhecimentos visando à aquisição das habilidades, competências e aprofundamento dos conhecimentos tecnológicos dos futuros profissionais em ambiente acadêmico.

Palavras-chave: escritório modelo, prática profissional, programas de extensão universitária, mapa tátil e baixa visão, habilidades e competências em arquitetura.

Mapa Tátil Urbano: FIAMFAAM Campus Liberdade

Fonte: Arquivos do Escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo FIAMFAAM. Foto Katakura, Paula 2008.

ABSTRACT

Transformations in the world of work call for qualified professionals in the architecture and urban planning area who follow the alterations and transformations of the contemporary world and who atend the complex demands of a society in constant change. To achieve that level, the pedagogical project must make viable the inseparable coexistence of relations between theory and experimental practice, seeking for solutions to problematic situations contextualized in the reality experienced by the pupil. By means of the description of a teaching tool called tactile and low vision map developed in partnership with the Dorina Nowill Foundation for the Blind, the text will broach the
pedagogical role played by the programs and research projects and outreach projects carried out in the model-office of the Architecture and Urbanism course at FIAM-FAAM for the building of new knowledge aiming at the acquisition of skills, abilities and deepening of the technological knowledge of future professionals in an academic
environment.
Keywords: model office, professional practice, university outreach
programs, tactile and low vision map, skills and abilities in architecture.

RESUMEN

Las transformaciones en el mundo del trabajo están exigiendo profesionales de la arquitectura y del urbanismo cualificados, que sigan las transformaciones del mundo contemporáneo y que lleven a cuidado de las demandas de una sociedad compleja en cambio constante. Para eso, el proyecto pedagógico debe hacer posible la coexistencia indisociable de relaciones entre la teoría y las prácticas experimentales, buscando la solución de los problemas contextualizados en la realidad conocida por el aluno. El texto abordará, por medio de la descripción de un objeto pedagógico denominado “mapa táctil y de baja visión””en sociedad con la fundación Dorina Nowill para Cegos, la función pedagógica desempeñada por los programas y proyectos de pesquisa y extensión realizadas en el taller-modelo del curso de Arquitectura y Urbanismo de la FIAM-FAAM para la construcción nuevos conocimientos buscando la adquisición de las habilidades, de las competencias y de la profundización del conocimiento tecnológico de los futuros profesionales en el ambiente académico.

Palabras-clave: Taller-modelo, Práctica profesional, Programas de extensión universitaria, Mapa táctil y de baja visión, Habilidades y competencias en arquitectura.

Introdução

As mudanças no ambiente de trabalho vêm requisitando profissionais da área de arquitetura e urbanismo qualificados que acompanhem as transformações do mundo contemporâneo e que atendam às demandas de uma sociedade altamente complexa. Para tanto, o projeto pedagógico deve viabilizar a coexistência indissociável de relações entre teoria e práticas experimentais, buscando a solução de situações-problema contextualizadas em realidade vivenciada pelo aluno.

As grandes transformações da sociedade nas últimas décadas estão refletidas nas mudanças no comportamento humano, principalmente da população que se concentra nos centros urbanos. Estão em permanente mudança os hábitos de morar e de trabalhar, que demandam novas soluções para a edificação, a cidade e o ambiente. O conhecimento voltado à produção do habitat do ser humano quer nos seu abrigo individual, quer nos seus espaços coletivos, não pode ficar alheio a essas transformações e exige preparação de profissionais, arquitetos e urbanistas, capacitados para enfrentar essa nova realidade.

Neste contexto, com o aumento das informações disponíveis, a educação deve considerar a forma individual de aprendizagem, trabalhar a capacitação cognitiva, a interpretação, a procura da informação e a indagação por meio de um programa que contemple a interconexão daquilo que se aprende unindo inteligência e criatividade. O profissional arquiteto e urbanista, deverá saber identificar problemas, compreender a realidade e seus diferentes atores, transformando a matéria e criando soluções para o espaço da sociedade, tomando decisões e relacionando campos de conhecimento antes isolados.

Torna-se cada vez mais importante a necessidade de reciclagem constante de trabalhadores e profissionais devido à quantidade dessas novas informações, instrumentos de trabalho e formas de acesso ao conhecimento que se internacionalizou.

A formação não se dá ou se encerra na entrega do diploma ou da certificação profissional. Assim como situações diante da vida profissional deixam de ser previsíveis inviabilizando a adoção de soluções pré-concebidas. Esses trabalhadores e profissionais deverão estar preparados para aprender a ser, aprender a aprender, aprender a conviver, aprender a fazer continuamente, adotando nova postura pró-ativa face às novas e imprevisíveis situações que deverão ocorrer ao longo de toda sua vida profissional. Esse será o desafio a ser percorrido e vencido pelas instituições de Ensino Superior: como desenvolver egressos que tenham internalizado em seu processo de formação e desenvolvimento constantes as competências pessoais, sociais, cognitivas e produtivas ou ainda laborais necessárias para sua inserção no mundo de relações complexas e interdependentes?

Trata-se de uma mudança de paradigmas que leva ao enfrentamento de um desafio: a adequação dos projetos político-pedagógicos e métodos de ensino dos cursos de arquitetura e urbanismo ao atendimento da formação fundamentalmente educativa e focada não apenas na educação profissional, mas também no desenvolvimento de condutas e atitudes com responsabilidade técnica e social.

Essa formação deve estar expressa no conjunto de ações pedagógicas que serão tomadas para a viabilização dos programas de pesquisa, ensino e extensão garantindo o desenvolvimento das competências e habilidades previstas para a formação do perfil profissional pretendido para cada curso.

Um ponto importante a ser ressaltado ainda é a interpretação e a forma de como se tem dado o ensino que objetiva o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais em arquitetura e urbanismo em sala de aula a partir dos profissionais de ensino. Existem algumas evidências extraídas de levantamentos informais em nossa área de atuação que apontam para uma formação pedagógica específica insuficiente destes docentes na área de educação e formação para a atividade de ensino e formação profissional que atendam ao texto da Lei Federal nº 9.394 – 20.dez.1996. Embora altamente titulados e qualificados em seus campos de atuação profissional vinculado à arquitetura e ao urbanismo, apresentaram na elaboração de seus programas de curso metodologia e aplicação de recursos pedagógicos insuficientes para o desenvolvimento de conceitos básicos na área de educação profissional tais como saberes, habilidades e competências. Outro ponto a considerar é a forma como esses conceitos (parcialmente compreendidos) são trabalhados no dia a dia com os alunos na forma de novas ações pedagógicas. Ocorre que na insuficiente formação específica para o ensino em cursos de pós-graduação de arquitetura e urbanismo, os profissionais voltados à docência adotam modelos construídos ao longo de sua formação espelhando-se, num primeiro momento, em professores cujas atitudes e comportamentos exerceram influência em sua prática docente.

Pode-se acrescentar a tradição culturalmente internalizada entre arquitetos professores que é a de que o aprendizado ocorre por meio da transmissão do ofício ou ainda, que a arquitetura e o urbanismo podem ser apreendidos por meio do discurso realizado pelos mestres sobre o que é a arquitetura, o urbanismo e como se deve agir para alcançar êxito em seus desenhos, projetos e planos. Pode-se afirmar que para esse caso, aprende-se por influência, materializando-se na formação dos alunos os princípios, práticas e visões de arquitetos tradicionalmente reconhecidos pela qualidade de suas obras. A construção de novos conhecimentos e a transmissão de saberes, práticas, comportamentos, visões de mundo desses profissionais devem permanecer nos currículos, mas a eles precisam ser incorporadas novas práticas pedagógicas que privilegiem o processo de busca, construção, apropriação, utilização e aplicação desses saberes para com isso atender à urgente formação de profissionais cientes de suas responsabilidades éticas, sociais, ambientais e preparados para responder a uma sociedade complexa.

É nesse contexto que as atividades extensionistas vinculadas aos cursos de arquitetura e urbanismo de instituições de ensino superior privadas ganham especial relevância: podem, além de viabilizar a transferências de saberes, conhecimentos e inovações tecnológicas para a sociedade por meio de ações dirigidas (palestras, eventos, campanhas, atividades assistencialistas, cursos, oficinas, viagens, entre outras), também apoiar processos educativos para todas as comunidades envolvidas (internas e externas à IES) voltados para resolução de problemas complexos multidisciplinares vinculados as questões sociais. Desta relação de confronto entre a troca de saberes acadêmico e popular nasce a produção de novos conhecimentos e a integração com a sociedade.

Atividades de extensão na formação profissional e pessoal do arquiteto e urbanista

A resolução nº 6 de 02 de fevereiro de 2006 que Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo abrange um espectro bastante amplo de conhecimentos para a formação profissional e qualificação do arquiteto e urbanista na abrangência de suas competências profissionais. A Resolução 1.010 de 22 de agosto de 2005, por sua vez, que dispõe sobre a regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea. As duas expressam claramente em seus textos habilidades específicas que encontram-se estreitamente relacionadas ao campo de trabalho e ao saber fazer e saber ser que são exigidas postos e ocupações de trabalho e habilidades de gestão que relacionam-se ao desenvolvimento de competências relacionais, pessoais, cognitivas e produtivas.

O ensino de atividades complexas (supervisão, orientação técnica, coordenação, planejamento, projetos, especificações, direção, execução de obras, ensino, consultoria, vistoria, perícia e avaliação) e que viabilizam o pleno exercício de algumas atividades referentes à Resolução 1.010 de 22 de agosto de 2005 e a Resolução nº 6 de 02 de fevereiro de 2006 necessitam de ambientes específicos de ensino/aprendizagem complementares à sala de aula que por sua vez continuarão a contribuir na construção das bases científicas, instrumentais e tecnológicas do futuro profissional. Cabe à extensão por meio de ações sociais extraclasse (atividades complementares, estágios voluntários entre outros) realizadas em seus escritórios-modelo, canteiros de obra, núcleos ou laboratórios de habitação e habitat, desenvolver e aprofundar as competências cognitivas, relacionais, pessoais e produtivas levando o egresso a assumir de forma segura e consciente responsabilidades  contidas em sua profissão.

Visando a criação de um ambiente de projeto que aprofunde a formação dos alunos do curso pela inclusão de experiências práticas focadas em questões sociais e vinculadas ao ensino teórico, é criado o Escritório Modelo. Sua missão é a qualificação profissional realizada por meio da prática em situações reais e com o envolvimento de alunos, professores, comunidade e profissionais de formações diversificadas em todas as etapas dos projetos. Na qualidade de centro de referência e integração das atividades teóricas e práticas desenvolvidas no Curso de Arquitetura e Urbanismo assume funções pedagógicas que permitem e incentivam ações multidisciplinares, interdisciplinares entre os alunos do Curso de Arquitetura, os alunos e professores dos demais cursos do centro universitário, profissionais vinculados a empresas, parceiros e representantes de comunidades externas à IES. A partir da inserção de novos atores e agentes vinculados a grupos diversificados, o escritório pretende desenvolver o potencial dos alunos nas seguintes competências:

Pessoais: pelo desenvolvimento de atividades de prestação de serviços sociais de sua competência profissional e adequados aos conhecimentos por ele desenvolvidos até o ciclo do curso em que está inserido, o aluno potencializa a autoconfiança, autoconhecimento, auto-estima ao constatar na prática que seu trabalho e seus conhecimentos são capazes de atender as demandas; aprimora o seu projeto de vida por meio da consciência do que quer ser, auto-realização, dando sentido a vida profissional, pois é capaz de exercitar o ofício ainda em ambiente acadêmico respaldado sempre pelas orientações advindas dos professores/arquitetos responsáveis pela tutoria dos alunos e projetos;

Relacionais: o convívio com o outro desenvolve o caráter interpessoal, por meio do reconhecimento do outro, do convívio com opiniões diversas das suas e com grupos, estimula a interação e aprimora a comunicação; o aluno necessariamente precisa expressar-se, expor as suas opiniões ao grupo em reuniões de trabalho internas ao escritório e externas quando da visita à obra, pesquisas de campo ou ainda quando da entrega de etapas de projeto.

Cognitivas: de maneira geral, estimula-se a leitura, a escrita, a representação gráfica de suas idéias, o cálculo para resolução de problemas, o acesso a informações acumuladas em várias áreas de conhecimento e distintas mídias, desenvolvendo a capacidade de pesquisa pela busca, organização, sistematização de informações adquiridas em distintas áreas de conhecimento e análise propositiva. Essa situação por estar localizada fora do âmbito das disciplinas do curso, exercitando e aprimorando o autodidatismo e o construtivismo.

Produtivas: por se tratar de projetos inéditos, multidisciplinares e compostos por agentes e profissionais multidisciplinares, desenvolvem-se as competências básicas que vão da criatividade objetivando a criação de um novo objeto à gestão/produção do conhecimento, além da profissionalização, da auto-gestão, gestão e co-gestão de equipes.

Pretende-se com este recurso pedagógico aproximar o aluno do mercado de trabalho e facilitar a constatação de satisfação em relação à carreira escolhida. A experiência diária demonstra que a procura de soluções para os problemas da sociedade e das comunidades envolvidas, obriga o desenvolvimento de soluções criativas, de aplicação imediata, que envolvem recursos muitas vezes restritos, demandas e restrições a serem analisados, prazos a serem cumpridos. Neste ambiente de ensino/aprendizagem a pesquisa não é puramente acadêmica, pois o envolvimento e a realização dos projetos contribuem para a integralização das atividades de pesquisa e extensão.

Ao se voltar para a sociedade e para os problemas externos ao do seu próprio ensino, o escritório exercita a flexibilidade do aluno na resolução de uma problemática real que está sujeita a alterações advindas das distintas demandas de todos os atores e agentes envolvidos no projeto, contextualizando-o numa situação real e concreta. Exercita e amplia seu projeto de vida e compreensão de mundo, pois ao contextualizar problemas que muitas vezes estão distantes de seu cotidiano, viabiliza a constituição de significados às coisas, dando sentido a tudo o que ele aprendeu em sala e fora dela.

Relato da experiência pedagógica adquirida a partir do Acordo de Cooperação Técnica entre a Fundação Dorina Nowill para Cegos e FIAMFAAM para a execução de Mapa Urbano Tátil e Baixa Visão.

O escritório modelo do curso de arquitetura e urbanismo vem realizando por meio de suas práticas, atividades de atendimento a diversos públicos buscando não apenas a  transmissão e aplicação dos conhecimentos construídos em ambiente universitário, como também o aprofundamento dos conhecimentos e práticas pedagógicas que levam ao desenvolvimento das competências pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas visando a formação de um ser humano pleno, consciente de suas responsabilidades e um profissional apto a atender as demandas do mercado de trabalho. Foi com esse propósito, que a proposta de parceria para a concepção e construção de objeto pedagógico para a Fundação Dorina Nowill para Cegos foi acolhida. Este objeto denominado Mapa Tátil e Baixa Visão deveria atender aos clientes atendidos pelo programa de mobilidade e orientação urbana em suas aulas com o intuito de instrumentalizar DV- deficientes visuais (cegos e de baixa visão) para o livre caminhar em cidades.

O Brasil, segundo o Censo do IBGE/2000, apresenta uma população com alguma deficiência física (motores, mentais, auditivos, visuais) na ordem de 14,5% da população total, sendo que, as deficiências visuais representam 48,1%, ou seja, 11.8 milhões do total de deficientes, mais de 100% superior à segunda causa de deficiência. Estes dados refletem a urgência na concepção e construção de objetos e instrumentos que visem a compreensão do espaço urbano, de seus equipamento públicos que venham a proporcionar uma maior liberdade a esse cidadão.

O trabalho foi executado a partir da experiência adquirida na elaboração do Guia Tátil de Ruas do Ipiranga para o ICG – Instituto de Cegos Padre Chico em 2003, pelo Núcleo de Pesquisas em Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Marcos.

Figura 1: Mapa Urbano Tátil e Baixa Visão

Fonte: Arquivos do Escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo FIAMFAAM. Foto Katakura, Paula 2008.

 

A área selecionada para a confecção da maquete engloba um setor do bairro de Vila Mariana, município de São Paulo, lugar onde está situada a Fundação Dorina Nowill para Cegos. A região é caracterizada por um fluxo intenso e contínuo de pessoas que são atendidas por uma excelente infra-estrutura de transporte e acessibilidade (metropolitano e ônibus). A esta condição privilegiada, associa-se a existência de diversos equipamentos públicos e privados voltados ao atendimento de pessoas deficientes, com necessidades especiais e com mobilidade reduzida.

Um conjunto de recomendações e solicitações referentes ao tamanho, transporte, manutenção, conteúdo, informações técnicas foi feito ao grupo que desenvolveria o protótipo. Por sua vez, o escritório deveria não apenas realizar a tarefa solicitada no prazo previsto como também potencializar o desenvolvimento de algumas habilidades e competências previamente discutidas com a coordenação de curso ao longo do processo de desenvolvimento do protótipo. As etapas do processo de elaboração definidas pelo escritório foram as seguintes:

1.    Concepção de Projeto

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Reconhecer e compreender a linguagem técnica do desenho como também do alfabeto Braille e formas de leitura do DV;analisar o efeito do uso das cores em DV de baixa visão; desenvolver conhecimentos sobre as formas de orientação e mobilidade de DV; Aplicar os dados da pesquisa realizada para a viabilização do projeto do mapa; interpretar símbolos e convenções técnicas em arquitetura e Braille; Metodologia de pesquisa; tecnologia de matérias, de equipamentos, convenções gráficas e técnicas para desenho; convenções gráficas para escrita Braille; ergonomia aplicada a DV; Uso das cores para DV; desenho geométrico;

1.    Elaboração de Projeto

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Interpretar legislação, orientações e referências específicas sobre elaboração de mapas urbanos, atendimentos a DV; analisar as condições técnicas econômicas para viabilização do mapa; Utilizar informações de ordem legal e de natureza técnica específica, implementado-as no processo de trabalho; aplicação de dados socioeconômicos estudando a alternativa mais adequada para a execução do projeto; desenhar anteprojeto do mapa tátil; Projeto técnico do mapa tátil e de baixa visão; Desenho do projeto; legislação e convenções de representação; informática aplicada; computação gráfica aplicada; estudos preliminares para a execução do protótipo.

1.    Elaboração de Projeto Executivo

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Os alunos tiveram de eleger materiais para a elaboração do mapa; implementação de regras de controle para a execução das várias etapas de produção do protótipo (corte dos distintos materiais, colagens de todas as peças, etc.) para garantir a qualidade de protótipo; Organização do escritório modelo e do laboratório de maquetes e modelos para a execução do protótipo; Desenho do objeto; convenções técnicas, escalas, etc.; tecnologia de equipamentos, materiais e ferramentas;

1.    Gestão de Processo dos Serviços

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Selecionar as informações técnicas e tecnológicas aplicáveis ao processo de produção do mapa e d seu protótipo; analisar e interpretar preços relativos aos componentes do protótipo e dos serviços; acompanhar o desenvolvimento tecnológico da área de produção dirigida ao atendimento de mercado de deficientes (equipamentos, materiais, serviços, produtos, etc.) Técnicas de gerenciamento organizacional; criação de alternativas para assessoramento do cliente e manutenção técnica do mapa; criar, organizar e manter o cadastro de clientes e serviços utilizados ao longo do processo de execução do mapa; Fundamentos de administração e gestão; gerenciamento e sistematização, organização, arquivamento de informações e cadastros; noções de custos e orçamentos; liderança e relacionamento interpessoal; legislação aplicada; apresentação de trabalho e marketing.

Para a operacionalização das quatro etapas, alguns procedimentos foram tomados. Numa primeira fase foram identificados os membros da equipe de concepção, projeto e execução e definidas as atribuições e atividades de cada um dos seus membros (professor tutor; consultor técnico, estagiário sênior, estagiário júnior, técnicos do laboratório de maquetes), convidados externos (professores de mobilidade e orientação, fisioterapeutas, oftalmologistas, médicos e técnicos especializados da Fundação Dorina e das empresas fornecedoras de produtos para atendimento de pessoas DV); coube aos estagiários voluntários, respeitadas suas atribuições, a elaboração e o encaminhamentos do plano de execução do trabalho, com cronogramas contendo datas de entregas das distintas etapas. Neles, os alunos incorporaram visitas técnicas e reuniões de trabalho tanto no escritório quanto na fundação; As reuniões de trabalhos com os tutores eram semanais e lá os alunos com eventual presença dos técnicos (que também foram sendo capacitados para o desenvolvimento do protótipo) expunham o andamento do trabalho, as dificuldades e alternativas encontradas para a solução dos obstáculos. Os levantamentos para identificação dos principais equipamentos públicos e privados entendidos pela população do bairro de Vila Mariana e pelos clientes da Fundação Dorina foi feito por meio de leitura de mapas existentes (mídia papel e digital) e à pé com intuito de verificar a autenticidade dos dados e das entradas dos principais edifícios vez que os mapas cadastrais da PMSP adequados ao trabalho datam da década de 70.

Os alunos vivenciaram as quatro etapas do processo de desenvolvimento de competências, pois tiveram a possibilidade de conviver com alunos e profissionais de diversas formações e áreas de atuação, proporcionado a formação de um discurso adequado para o diálogo com públicos distintos; foi viabilizada a troca de informações e experiências criando um repertório técnico novo que só a convivência em atividades de trabalho com experiências diversas pode proporcionar. A entrega do projeto executado aos clientes (DV) e a imediata utilização do mesmo para fins de compreensão do lugar onde vivem possibilitou aos alunos muito mais do que a prestação de serviços sociais por meio do exercício de sua competência técnica. A concretização de seu trabalho e sua posterior utilização pelos clientes potencializou sua autoconfiança e auto-estima e auto-realização, pois o exercício do ofício efetivado no escritório modelo e respaldado pelo ambiente acadêmico (tutoria) deu sentido a sua vida profissional.

Referências

Abreu, Adilson Avansi de, A Cultura e a extensão como motivação da atividade universitária. In. Revista de Cultura e Extensão – USP. São Paulo Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária N. 00 (agosto a dezembro de 2005). p. 8-17.

Barboza, Joaquim Oliveira. O Ensino por Competências II. s.ed:s.l.,s.d.

Cegos ganham 1º mapa em braile com o entorno de estação do metrô em SP
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u555632.shtml
Acesso em: 02.05.2009.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz eTerra. 1983.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. São Paulo: Perspectiva, 1972.

Mapa Tátil auxilia deficientes visuais em estação do metrô.
Disponível em:
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1087971-5605,00.html

Acesso em: 02.05.2009.

KATAKURA, Paula. Projeto Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo: FIAMFAAM Centro Universitário, 2006.

Silva, Ricardo Toledo. Estado, políticas públicas e Universidade. In. Revista de Cultura e Extensão – USP. São Paulo Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária N. 00 (agosto a dezembro de 2005). p. 104-125.

Fundamentação Legal

Brasil. Lei Federal nº 9.394 – 20.dez.1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
Acesso: 15.01.2009.

Brasil. Resolução nº 6 – 2.02.2006. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo e dá outras providências.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces06_06.pdf
Acesso em 15.01.2009.

Brasil. Resolução 1010 – 22.08.2005. Dispõe sobre a regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea, para efeito de fiscalização do exercício profissional.
Disponível em: http://normativos.confea.org.br/downloads/1010-05.pdf
Acesso em 15.01.2009.

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Mapas Táteis Urbanos é Tecnologia Certificada (2009) da Fundação Banco do Brasil!

Tecnologia certificada em 2009.

Ficha Técnica

Mapas Táteis Urbanos
FIAMFAAM Centro Universitário / Curso de Arquitetura e Urbanismo
Responsáveis pela tecnologia: Drª Helena Napoleon Degreas e Drª Paula Katakura
Tema: Educação (deficientes visuais)
Tema Secundário: Mapas táteis urbanos: orientação de pessoas cegas e deficientes visuais nas cidades.

Problemas apresentados

“Para as pessoas, a tecnologia torna as coisas mais fáceis.
Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis”. [i]

Os resultados do censo IBGE 2000 mostram que 14,5% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência visual, auditiva, motora ou mental. São no total, cerca de 24,5 milhões de pessoas que tem limitações relacionadas à estrutura do ambiente em que vivem e a comunidade que dificultam ou inviabilizam sua inclusão social, o exercício de sua liberdade e cidadania. Deste total, 48% são deficientes visuais, 23% são deficientes motores, 17%são deficientes auditivos, 8% são deficientes intelectuais e 4% são deficientes físicos. Dos 16,6 milhões de pessoas que manifestaram algum grau de deficiência visual (IBGE 2000), cerca de 150 mil declararam-se cegos no Brasil. É importante destacar que com o envelhecimento da população brasileira, aumentará também a proporção de pessoas portadoras de deficiência visual resultado direto e inevitável da diminuição da acuidade visual (imagens com foco inadequado por erros de refração não corrigidos, situação essa que afeta pessoas de todas as idades e grupos étnicos no mundo) provocada pela idade. É considerado deficiente visual aquele que apresenta perdas visuais parciais ou totais (cegos) que, após correção óptica ou cirúrgica, limitem seu desempenho pessoal.

Procurar por uma rua, buscar um endereço, encontrar um hospital, chegar até a escola são situações bastante comuns para todos aqueles que vivem em ambientes urbanos.  Em princípio, uma forma de buscar essas informações é por meio do uso de mapas. Um mapa nada mais é do que a representação plana e reduzida de uma determinada superfície do território na maior parte das vezes impressa em papel e tinta. Eles existem em estações de metrô, algumas repartições públicas, escolas e bibliotecas, são vendidos em bancas de jornal em cidades grandes. E para quem não enxerga, onde esses mapas estão disponíveis? Para quem é cego ou deficiente visual, a realidade é outra. A busca pela informação é feita várias formas. É possível aprender sozinho a orientar-se e deslocar-se em cidades ou ainda por um conjunto de técnicas aprendidas, quando possível, em aulas de orientação e mobilidade urbana utilizando-se como apoio, de bengalas, cães guias e acompanhantes por exemplo. A leitura de sinalização urbana é impossível para cegos e bastante difícil para alguns tipos de deficiência visual.

Para o caso de ambientes internos a prédios públicos, por exemplo, a NBR9050 recomenda a colocação de placas de sinalização tátil e de plantas que mostrem a localização de departamentos, setores, serviços do edifício que está sendo utilizado. Quando fora do edifício, nas ruas, informações referentes à cidade são inexistentes para 48% da população considerada deficiente visual. A análise realizada por meio da leitura da legislação nacional e internacional, associada aos estudos provenientes da parceria com as principais instituições que atendem Cegos e Deficientes Visuais (Fundação Dorina Nowill para Cegos e Instituto de Cegos Padre Chico) no Brasil, apontou para a inexistência de instrumentos pedagógicos adequados ao ensino de orientação urbana num primeiro momento e posteriormente, para a ausência de informações ou conteúdos referentes à confecção ou obrigatoriedade de colocação de mapas urbanos táteis em equipamentos públicos em instrumentos legais e jurídicos disponíveis para o atendimento de pessoas com deficiências.

Solução Adotada

Um mapa tátil urbano tem por objetivo oferecer aos Deficientes Visuais uma representação reduzida de um determinado recorte da superfície terrestre. Diferentemente dos mapas planos direcionados para a população vidente (impressos em papel em tinta , por exemplo), os mapas táteis são objetos tridimensionais que  possibilitam o acesso às informações da cidade quanto à  localização e distribuição no território de equipamentos públicos e de referenciais urbanos, quanto ao conhecimento espacial da área a ser percorrida à pé e quanto à escolha dos caminhos mais adequados para se chegar a um determinado local, por exemplo, ampliando seu nível de mobilidade e orientação urbana em igualdade de condições e informações em relação às demais pessoas.

A área abarcada pelos mapas depende da informação que se pretende mostrar. Os mapas confeccionados até o momento têm entre 4km² e 8km² podendo variar para mais ou para menos. O tamanho do objeto depende também da área de abrangência. Os mapas construídos variam de 0.90cm x 0.90cm até 2.60m x 1.65m. Sua escala é aproximada e encontra-se em torno de 1:1000. Os mapas feitos de forma artesanal foram todos construídos sobre uma base de poliestireno preta e, sobre ela, foram colocadas as quadras do mesmo material em cor branca (ou amarela como no caso da Fundação Dorina Nowill para Cegos)  criando o contraste necessário para a compreensão dos deficientes com visão subnormal. Para a identificação dos logradouros, foi selecionada a linguagem Braille por tratar-se de um código universal de leitura tátil e de escrita adequada aos cegos. O restante dos textos foram impressos em tinta (preta, branca ou amarela) utilizando-se o tipo Verdana 24 Bold.

Descrição das diversas etapas:

O primeiro mapa tátil urbano construído chamava-se Guia Tátil Urbano e foi produzido com o objetivo de oferecer aos Deficientes Visuais (cegos) uma representação reduzida de um determinado recorte do território. Desenvolvido ao longo do segundo semestre de 2003 como objeto pedagógico a ser utilizado na disciplina Orientação e Mobilidade Urbana do ICPC – Instituto de Cegos Padre Chico ministrada pelo psicólogo Ruberval Gozzo, o Guia Tátil de Ruas do Ipiranga foi entregue oficialmente em dezembro do mesmo ano atendendo a um universo de 110 crianças e adolescentes. O mapa foi construído em processo artesanal atendendo às demandas dos professores de diversas disciplinas, dentre elas, matemática e geometria, língua portuguesa, geografia, artes, além de orientação e mobilidade urbana. Houve algum estranhamento por parte de nossa equipe vez que diversas disciplinas manifestaram interesse no uso do objeto. Questionados, os docentes ressaltaram a importância na ampliação da quantidade e da qualidade de informações, vivências e experiências de vida que um deficiente visual deve receber do meio em que se insere e dos outros com quem convive como fator importante para seu desenvolvimento em igualdade de condições com os outros não deficientes. Com eles foram definidas as cores contrastantes (fundo preto e quadras em branco) e a qualidade das informações utilizadas por seus alunos. Como exemplos significativos de uso, no estudo da geometria foram trabalhadas as forma urbanas e sua geometria, noções de distância e tempo, insolação e localização (norte); no estudo da língua portuguesa trabalharam questões vinculadas ao texto propriamente dito como abreviaturas e escrita; na história foram associados nomes de ruas aos fatos históricos do bairro, entre outros. Com isso, foram inseridos no Guia referenciais urbanos referentes a serviços de caráter público tais como delegacia de polícia, bombeiros, museus, escolas públicas com os respectivos acessos junto à quadra, como também a localização de todos os pontos de ônibus. Os nomes foram inseridos em alfabeto Braille por solicitação da escola, pois seus alunos são alfabetizados nele. As denominações e nomenclaturas dos logradouros e serviços obedeceram a critérios pouco usuais, privilegiando designações de caráter cotidiano e afetivo. Com isso, o  Museu Paulista da Universidade de São Paulo  no mapa transforma-se em Museu do Ipiranga.

Um segundo Mapa Tátil foi construído a pedido do UNASP – Centro Universitário Adventista de São Paulo e a pesquisa foi desenvolvida ao longo de 2006 sob a supervisão do professor Roberto Sussumo Wataya, responsável pela área de acessibilidade e de informática da instituição. O mapa foi entregue no mesmo ano e atendia especificamente ao conjunto de alunos e ex-alunos (aproximadamente 600) que freqüentavam a UNASP. O mapa desenvolvido continha alguns elementos novos tais como legendas e texturas indicando áreas verdes e edificações significativas. Após a realização de pesquisa qualitativa (preliminar) com público composto por adultos, de ambos os sexos, idades variadas e formação universitária, todos cegos, concluiu-se que algumas situações prejudicavam a leitura e a inteligibilidade das informações embora seus usuários se mostrassem satisfeitos com a possibilidade de localização dos serviços demandados. Como ocorreu no Mapa entregue ao Instituto de Cegos Padre Chico, houve surpresa com a dimensão do campus e com a descoberta de lugares e informações referentes ao local até então desconhecidos por eles.

O terceiro Mapa Tátil Urbano foi construído em 2008 para a Fundação Dorina Nowill. Para este caso, a pesquisa envolveu uma série de profissionais multidisciplinares (oftalmologistas, psicólogos, fisioterapeutas) da Fundação Dorina Nowill para Cegos e do FIAMFAAM Centro Universitário (arquitetos e urbanistas, além de alunos e técnicos). A Fundação oferece atendimento especializado para cerca de 1300 clientes / ano e 20.000 atendimentos gerais. O Guia Tátil recebeu novo nome: Mapa Tátil Urbano.  O mapa tátil foi construído com as mesmas características do mapa feito para o Instituo de Cegos Padre Chico. Sobre uma base de poliestireno preta foram coladas quadras em cor amarela e sobre ela, foram colados os textos em cor amarela e preta impressos em tinta, além das mesmas informações em Braille. Como o mapa deveria atender pessoas com baixa visão, os profissionais da Fundação solicitaram textos impressos que foram confeccionados em vinil. O mapa também deveria conter todos os parceiros do Projeto Conexão presidido pela Srª Ika Fleury, que tem por objetivo mapear toda a “Rede Social” de serviços que atendem a população (saúde, educação, etc.) do bairro. Nele foram alocadas as entradas de todos os equipamentos citados.  Avaliações ainda preliminares feitas por meio de pesquisa qualitativa com a clientela interna à FDNC apontam para a aceitação plena do objeto pedagógico (Mapa Tátil Urbano) como elemento que colabora na localização e orientação urbana de deficientes visuais.

O quarto  Mapa Tátil Urbano foi construído a partir de convite feito à FIAMFAAM Centro Universitário pela Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô para implantação na Estação Santa Cecília. Em função da demanda de usuários (grande escala), o objeto foi desenvolvido com tecnologia diferente das demais. Uma combinação de equipamentos e técnicas viabilizou a construção de um mapa com alta resistência ao atrito, grande durabilidade para uso intensivo e manutenção simples quanto à limpeza realizada por pessoal terceirizado. O mapa tátil urbano foi entregue em abril de 2009 e ainda não houve tempo hábil para a realização de avaliações provenientes de pesquisas que ainda carecem de rigor técnico.

Quinto Mapa Tátil Urbano: A Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, solicitou novos estudos para a construção de mapa tátil para a estação Santa Cruz. Por se tratar de localização urbana distinta dos mapas anteriores e localizar-se próxima à Fundação Dorina Nowill para Cegos, novos referenciais urbanos foram inseridos no mapa. A Fundação desenvolve um projeto denominado “Conexões” que tem como objetivo a divulgação de uma “rede social” composta por vários parceiros que prestam gratuitamente serviços sociais e que atendem a população.  Com o objetivo de colaborar com a divulgação da “rede social” existente no bairro composta por serviços sociais, de saúde e de educação ofertados por universidades, organizações não governamentais e pelo poder público gratuitamente, foi acrescida ao mapa além dos logradouros e referenciais uma série de informações de caráter público.  As cores foram alteradas mantendo a necessidade do contraste alto (azul e branco) para atender também à identidade visual do metrô, como também, para atender aos novos usuários deficientes visuais.  O mapa tátil urbano tem entrega prevista para junho de 2009.

Observamos que embora mapas de localização específica intra-lotes ou plantas de edificações adequados a deficientes visuais estejam presentes (de forma tímida ainda) em alguns locais de uso público, mapas contendo informações urbanas significativas em linguagem adequada a deficientes visuais não existem.

Essa situação levou a Companhia Metropolitana de São Paulo a estudar a possibilidade, viabilidade de implantação dos Mapas Táteis Urbanos em sua rede situação essa que gera a necessidade de aprofundamento das pesquisas para o atendimento de novos usuários (idosos) e pessoas com mais de uma deficiência (deficientes auditivos, cadeirantes), além dos deficientes visuais, agregando novas informações e experiências ao cotidiano de vida de seus usuários.

Objetivos

A presente tecnologia social pretende colaborar na informação e orientação de deficientes visuais e pessoas com acuidade visual diminuída (idosos) junto à cidade por meio da divulgação (de forma não comercial) de diretrizes de elaboração de mapas táteis urbanos visando ao domínio público desses conhecimentos.

O resultado da presente tecnologia social consiste na confecção de objetos denominados mapas táteis urbanos cuja função é colaborar na informação e orientação de pessoas com acuidade visual diminuída em função da idade como idosos e deficientes visuais em cidades. Esse trabalho tem três objetivos específicos:
Primeiro: desenvolver o método, processo e as técnicas para construção desses mapas de forma simples e barata visando, pela disseminação e replicação desse conhecimento em caráter não comercial, à colaboração na apresentação e comunicação de informações urbanas (rotas, equipamentos públicos, referenciais) destinadas ao público em geral pela iniciativa privada e em especial pelo poder público em igualdade de oportunidades com as demais pessoas (em atendimento ao artigo 2 e 21 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência), utilizando tecnologia acessível e apropriada para os diferentes tipos de necessidades provenientes da deficiência visual.

Segundo: Viabilizar a disseminação dos conhecimentos provenientes dessa tecnologia assistiva transformando-a em tecnologia social de domínio público com o objetivo de facilitar a construção dos mapas urbanos para todos aqueles que deles necessitam. A disseminação de todas as informações provenientes das pesquisas que vem sendo realizadas estará disponibilizada no seguinte endereço eletrônico: http://www.mapatatil.com.br . Além de construir um site para as trocas de informações entre pesquisadores, empresas, ONGs e públicos afins, as informações deverão abordar conteúdos referentes à conceituação, técnica, materiais, processos de construção, exemplos de mapas táteis já realizados e resultados das pesquisas realizadas com os parceiros (FDNC, ICPC, Laramara) e demais públicos citados. Os textos provenientes da pesquisas entre os parceiros serão apresentados nas línguas portuguesa, espanhola e inglesa e a homepage será acessível para deficientes visuais e auditivos. Os demais, provenientes da rede de relacionamento, permanecerão nas línguas originais.

Terceiro: entregar novos mapas táteis urbanas aos parceiros, substituindo as antigas maquetes e protótipos elaborados artesanalmente (em poliestireno e polipropileno) por mapas táteis urbanos feitos em acrílico esculpido, mais resistente, mais leve, durável e de fácil manutenção.

Metas

Meta 1: com o objetivo de desenvolver os manuais que deverão descrever os conceitos, processos e técnicas de construção dos Mapas Táteis Urbanos, será necessária a constituição de um Núcleo de Estudos e Pesquisas em Acessibilidade Urbana com profissionais multidisciplinares (consultores), estagiários e técnicos advindos da parceria com as três principais instituições paulistas que atendem deficientes visuais e cegos. São elas: Fundação Dorina Nowill para Cegos, LARAMARA e Instituto de Cegos Padre Chico. O núcleo serpor professores do curso de arquitetura e urbanismo do FIAMFAAM Centro Universitário. A implantação deve ocorrer em 30 dias.

Meta 2: substituir os protótipos feitos artesanalmente para as instituições parceiras (Instituto de Cegos Padre Chico, Fundação Dorina Nowill para Cegos e LARAMA) por mapas táteis construídos em tecnologia mais adequado ao uso em grande escala. A substituição deverá ocorrer no prazo de 180 dias.

Meta 3: Elaborar protótipos de trechos urbanos que serão utilizados como testes nas pesquisas desenvolvidas junto ao núcleo e parceiros, buscando novas formas de comunicação, linguagens, técnicas, processos e materiais de confecção dos mapas urbanos táteis.

Meta 4: Publicar (concepção, desenvolvimento, projeto gráfico, disponibilização on line, manutenção e atualização) a homepage http://www.mapatatil.com.br . A inserção dos conteúdos e atualização de dados provenientes das pesquisas será realizada sistematicamente ao longo da pesquisa. O trabalho será iniciado a partir do aceite da proposta e terá a duração de um ano.

Meta 5: Publicar em meio impresso (papel e tinta) um Manual com informações referentes aos mapas táteis. A impressão e a distribuição serão feitos ao final da pesquisa, ou ainda, um ano após o início dos trabalhos.

Resultados alcançados

Primeiro Guia Tátil de Ruas do Ipiranga
Com o Guia Tátil entregue, alguma avaliações (pesquisa qualitativa utilizando questionário com respostas abertas, associado à avaliação de expressões faciais e comportamentais de alunos de ambos os sexos e faixa etária semelhante) referentes à quantidade, qualidade, pertinência e distribuição das informações na superfície do objeto, dimensões, localização e implantação do objeto na sala de atendimento, clareza, legibilidade e inteligibilidade das informações contidas no guia e sua posterior utilização na compreensão do espaço urbano e na sua orientação pelos arredores do ICPC foram feitas. Alunos de ambos os sexos, matriculados na disciplina Orientação e Mobilidade Urbana do curso fundamental (8ª série, ICPC). Levantamentos preliminares mostraram “estranhamento “dos alunos quando apresentados ao objeto pedagógico. Foi necessária uma explicação por parte do professor de orientação e mobilidade urbana quanto á sua função e uso. Justificado seu uso, os alunos iniciaram um processo de exploração para fins de compreensão do objeto. O uso dirigido e orientado pelos professores gerou, ainda de acordo com eles, novas descobertas e possibilidades para compreensão do que é a cidade. Muitos adolescentes surpreenderam-se com as formas urbanas que acreditavam conhecer bem, vez que faziam os trajetos todos os dias. Muitos manifestaram surpresa em relação à dimensão do “bairro” (na verdade tratava-se de uma área de 4 km², trecho de um setor distrital), distâncias entre pontos (da escola ao ponto de ônibus, por exemplo), entre outros exemplos.

Segundo Guia Tátil realizado para a UNASP
Os mapas foram utilizados por aproximadamente 600 deficientes visuais (cegos e visão subnormal) até maio de 2009. De forma regular, entre 3 a 5 pessoas procuram o responsável pela parceria entre UNASP e USM, Prof. Roberto Sussumo Wataya para conhecer o mapa tátil da UNASP e obter informações referentes à localização dos serviços prestados pela IES – Instituição de Ensino Superior. Embora, não tenha o caráter urbano, o campus da UNASP pode ser considerado por suas características físicas, uma  Cidade Universitária, pois além de dimensões praticamente urbanas, contém serviços de extensão em várias áreas, atendendo população em situação de vulnerabilidade social além de seus próprios alunos e funcionários. Quanto à legibilidade, os alunos conseguiram compreender os significados, lugares e texturas após explicações do professor, demonstrando capacidade de orientação espacial (geográfica) após o domínio do instrumento cartográfico tridimensional – mapa tátil. A localização do mapa (sua implantação espacial) encontra-se inadequada, pois não há sinalização de piso tátil para se chegar a ela, demonstrando que faz-se necessário o estudo de implantação dessa tecnologia assistiva para que ela possa de fato atender as necessidades de seus usuários. A existência do instrumento colocada aleatoriamente no espaço, não é sinônimo de eficácia em seu uso. Essa situação gera a necessidade de desenvolvimento de estudos que gerem diretrizes de orientação para a implantação da sinalização de piso associando informações que são transmitidas aos deficientes visuais em orientações quanto à mobilidade urbana à NBR9050.

Terceiro Mapa Tátil realizado para a Fundação Dorina Nowill para Cegos: Os usuários da Fundação Dorina Nowill são clientes de ambos os sexos e de idades, condições sócio-econômicas e educacionais bastante diversificadas. Frequentam a Fundação pelos mais diversos motivos, mas para o caso dos mapas, são clientes assistidos por profissionais da área de Orientação e Mobilidade Urbana, em especial, a Profª de Educação Física e Fisioterapeuta Suzete Arruda com que o trabalho foi desenvolvido. Por meio de uma pesquisa qualitativa com os clientes por ela atendidos, ficou evidenciada a satisfação dos mesmos quanto ao uso e necessidade do mapa para compreensão da vasta rede social existente no entorno da fundação, havendo também aprovação quanto a capacidade de transmitir informações relevantes à localização de equipamentos públicos no espaço urbano. Embora o mapa esteja disponibilizado para qualquer pessoa (centenas de pessoas freqüentam por ano a Fundação), cerca de 30 usuários de uma das disciplinas de orientação e mobilidade urbana fazem uso do mapa tátil. No entanto, alguns encontraram dificuldades na compreensão de textos abreviados, à simbologia utilizada para indicação das entradas dos edifícios localizadas nas quadras, vez que alguns dos usuários, graças ao diabetes, perdem a sensibilidade nos dedos. Esta situação deverá ser objeto de pesquisa do grupo. O contraste solicitado (preto e amarelo) foi bem acolhido apresentando bom contraste para a compreensão das informações, igualmente o tamanho e tipo utilizado nas letras (diferente da orientação existente na NBR9050). Os relevos criando pictogramas táteis (novo elemento inserido) também foram bem recebidos. Ainda assim, consideramos importante um estudo pormenorizado na área de comunicação visual e tátil para a criação de elementos tridimensionais ou em relevo (universais) que levem a uma compreensão mais rápida de alguns referenciais sem o uso de letras impressas ou em Braille.

Quarto Mapa Tátil realizado para a Companhia Metropolitano de São Paulo – Estação Santa Cecília do Metrô: Algumas declarações espontâneas de funcionários do metrô que atendem deficientes descrevem que o mapa tem sido bem aceito por usuários cegos e por inúmeros curiosos que passam pelo local. Por observações espontâneas feitas pelo pessoal responsável pelo acompanhamento dos deficientes físicos e pelos responsáveis pela segurança do local, não só os usuários cegos e deficientes visuais estão utilizando o mapa como também crianças, que aparentemente gostaram das cores e da simbologia tridimensional mais simplificada,  pessoas com baixa escolaridade (provavelmente porque a leitura por meio de pictogramas e textos menos complexos facilitem a compreensão) e por aqueles que têm dificuldade para ler letras pequenas como idosos, por exemplo. De qualquer forma, a equipe vê a necessidade de desenvolvimento de pesquisas mais aprofundadas para averiguação das afirmações espontâneas.

Parceiros

Fundação Dorina Nowill para Cegos
Instituto de Cegos Padre Chico
Laramara
Companhia do Metropolitano de São Paulo
Expressão e Arte em Comunicação Visual LTDA

Custos e demais informações sobre o assunto encontram-se disponíveis no site:
http://www.tecnologiasocial.org.br/

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